17 de junho. Botaram a cerca

Por Luis Fernando Verissimo

O maior assunto do momento nos Estados Unidos é um ex-jogador de futebol, mas não é o (maldade) Maradona. É O.J. Simpson, que foi um grande “fullback” no futebol americano, depois virou fazendo comerciais da “Hertz”. Tudo indica que ele matou a ex-mulher e um visitante dela a facadas e não foi muito cuidadoso apagando as pistas.

Mas as provas não são, como dizem aqui, conclusivas, Simpson ainda não foi preso e a imprensa está sendo acusada de prejulgamento sensacionalista. O que não surpreende. Imagine uma coisa parecida acontecendo aí, Pelé o principal suspeito de ter matado a Xuxa e um amigo. Nem é preciso ir tão longe: o Júnior Baiano, uma ex-namorada e um entregador de pizza.

Desse jeito, a única maneira da Copa do Mundo de “soccer” chegar às manchetes dos jornais americanos, fora algum crime passional envolvendo o Havelange, é os Estados Unidos chegarem às finais – e ganharem. Segundo lugar dá contracapa.

Mas, apesar da competição, aos poucos os americanos vão se dando conta que alguma coisa de diferente acontece sob os seus narizes paroquiais. A qui em San José, pelo menos na decoração das ruas, a Copa está em boa evidência, e já se vê torcedores brasileiros nas calçadas procurando desesperadamente o que fazer até a hora do jogo.

Ontem dei uma olhada no estádio de Palo Alto. Estavam colocando a cerca de arame. As autoridades americanas se renderam ao argumento de que o “soccer”, por ser um esporte que não requer muito equipamento para ser praticado, convida a participação espontânea de torcedores. Ou talvez tenham visto os brasileiros na rua e decidido às pressas: coloquem a cerca, coloquem a cerca!

Na saída do estádio, uma surpresa: Maradona, uniformizado. Numa provável visita de cortesia à delegação brasileira para ir ver o velho estádio da Universidade de Stanford, ou então estava ali para gravar alguma coisa no gramado. Sacudi a cabeça penalizado, pobre moço. Só quando cheguei mais perto vi que o corpo era parecido, mas não era o Maradona. Era o Bussunda.

(A gente brinca, mas em 90 também diziam que o Maradona não era mais o mesmo, e descobrimos com amargura que ele era o mesmo, sim, só que disfarçado).

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