18 de julho. Fanfarra (Brasil campeão)

Em 24 anos cabem pelo menos três gerações de futeboleiros. As gerações pós-70 no futebol brasileiro seguiram a sequência que alguém já identificou como um ciclo reincidente na história: da idade dos deuses para a idade dos heróis para a idade do homem comum.

A seleção de 70 não era só de deuses, é verdade. Fomos campeões no México com Felix no gol e Brito à sua frente. Mas o tempo e a indulgência se encarregaram de transformá-los em titãs também, junto com Tostão, Gerson, Jairzinho e os resto da corte do Pelé.

A seleção de 74 tinha alguns deuses decaídos e jogadores que não aguentavam a comparação com o time de 70. A de 78 foi um esboço da de 82, esta sim a melhor representação de uma nova geração que substitui os deuses e inaugurava a idade dos heróis.

O herói, como se sabe, é o deus democrático, porque é eleito pelos seus semelhantes, ao contrário do deus clássico que já nasceu deus, mas será sempre um deus menor. Nunca houve qualquer dúvida de que Pelé desceu do céu dentro de uma bola iluminada e já saiu chutando enquanto que Zico, por exemplo, teve que conquistar seus poderes, e nunca convenceu todo o eleitorado.

Mas a geração de Zico – ele, Sócrates, Junior, Falcão, etc. – foi uma geração de jogadores excepcionais que só não chegaram a deuses, ou ao menos semideuses, porque nasceram na parte errada do ciclo. A deles foi uma geração sem apoteose.

Em 86, no mesmo México onde os titãs tinham reinado, já era uma geração desmotivada. Lembro da figura melancólica de Falcão em 86, um homem consciente de que seu momento passara e não voltava mais. Ele acumulara glória e reconhecimento para honrar seus descendentes até remotos tataranetos, mas não ganhara a copa de 82, a copa que seria a dele. 86 foi apenas uma elegia por 82, a triste despedida de uma geração que teve tudo, menos o que mais queria. E veio a idade do homem comum.

Ela começou na Itália, na copa de 90. Você pensou que estivesse vendo um medíocre time de transição, uma depressão passageira antes que viessem os novos titãs, e estava vendo uma geração a caminho da sua apoteose, quatro anos depois.

Aaron Copland, um compositor americano, escreveu há anos uma “Fanfarra para o Homem Comum”. Ela deveria ter acompanhado a subida de Dunga e seus companheiros para receber a taça, ontem, em Pasadena. Seria o tema apropriado para o fim de uma epopéia improvável.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here