3 de julho. Aprendendo

Por Luis Fernando Verissimo

Muitos americanos desta região só descobriram recentemente que o que estava havendo aqui não era uma convenção internacional de gordos de camisa amarela que tocam tambor enquanto suas mulheres fazem compras. Se deram conta que estavam todos aqui acompanhando o campeonato mundial de uma coisa chamada “soccer”, e do qual o time do seu próprio país também participava.

A classificação dos americanos para a segunda fase despertou o interesse do público local e, pela primeira vez desde que chegou, a torcida brasileira não será maioria absoluta no estádio de Palo Alto. Como o jogo coincidirá com a festa da independência nacional, não faltarão frenéticas bandeiras americanas no estádio e o time brasileiro enfrentará o fervor patriótico de torcedores recém convertidos.

Muitos americanos, com a perspectiva do seu time se classificar para as oitavas-de-final, trataram de prestar atenção nesse tal de “soccer” e estudaram o jogo do Brasil com a Suécia para ver como ele é jogado.

Descobriram que no “soccer” um time fica sempre atrás e só ataca nas raras vezes em que tem a bola, mas aí tem que ser às pressas porque precisa devolver a bola para o outro time em seguida. O outro time fica quase todo o tempo com a bola, passando-a de um lado para o outro até o adversário comece a bocejar e dar outros sinais de distração, e então tenta entrar na área dele, mas não pode fazer isso mais do que três vezes por partida.

Os americanos também aproveitaram para aprender com a torcida brasileira como se torce num jogo de “soccer”. Curiosamente, “buuu” no futebol é incentivo. E as palavras para gritar quando o time está precisando de apoio são “mazinho, mazinho”, “ronaldo, ronaldo” e “burro, burro”.

O entusiasmo é grande. Fala-se na possibilidade de um “upset”, que é “zebra” em inglês. O presidente do comitê organizador da Copa nos Estados Unidos disse que neste 4 de julho os americanos podiam repetir o que fizeram com os ingleses, anos atrás.

Pensei que ele se referia à vitória americana sobre a Inglaterra na Copa de 50, no Brasil, mas sua pretensão era maior. Estava falando de uma zebra mais antiga, a derrota dos ingleses na guerra da independência, há 218 anos. O “soccer” definitivamente pegou nos Estados Unidos. Pelo menos até amanhã de tarde.

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