Bar Brasil

Por Jaguar

Fundado em 1907 por Herr May Leitner, tem 83 anos, a idade de Dercy Gonçalves. O nome era Berlim, e por causa disso foi parcialmente destruído em 42 pela estudantada em fúria, depois que os submarinos alemães afundaram navios brasileiros. Depois do quebra-quebra fechou as portas. O que nem mesmo a polícia sabia era que, no segundo andar do prédio, ficaram escondidos ilustres representantes da colônia “inimiga”, como Herr Kunig, fundador da Brahma, comendo kassler com chucrute e bebendo chope, que já era um dos mais bem tirados do Rio. Deve ter sido um porre memorável.

Um dos garçons, cearense, foi preso como espião nazista porque tinha cabelos louros e olhos azuis. Quando o bar reabriu, ganhou nome acima de qualquer suspeita: Brasil. E as paredes foram devidamente pintadas de verde, cor das nossas matas.

Hoje o dono é um espanhol, José Otero, que começou lá como faxineiro há 30 anos. Ele mantém a tradição de comida alemã, como ossobuco de vitela, mas lançou também parcerias germano-brasileiras como kassler com tutu de feijão e couve.

Otero é um espanhol com humor carioca, tremendo gozador. Dia desses, quando lhe perguntei qual é o prato que tinha mais saída, respondeu na bucha: “O redondo.” “E quando alguém reclama do asseio do banheiro, estrila: “Mando fazer uma faxina geral todas as manhãs. Tenho lá culpa se os caras erram a pontaria?”

As paredes não mais verdes, são de um branco encardido, com quadros de Selarón que tem, como Lan e Di Cavalcanti, a mania de pintar mulatas, só que feias e grávidas.

Chico também trabalha lá – e me serve – há uns 30 anos. É o garçom automático, nem preciso pedir o cardápio. Vai logo trazendo, para iniciar os trabalhos, uma “bomba”, aperitivo que faz jus ao nome e pode ser perigoso se ingerido por principiantes, principalmente com essa lei seca de trânsito. Omitindo espertamente a proporção dos ingredientes, Chico me deu a fórmula: cachaça de barril, Fernet, Underberg e vermute. Mas, repito, é bebida para profissionais. Deve ser servida gelada, juntamente com um chope na pressão para rebater.

Os outros garçons, Lino e José, também são da maior competência.

Para forrar o estômago – beber sem comer, nem pensar – o Chico me traz almôndegas com molho de tomate e arroz, supimpa. De sobremesa, um apfelstrudel de maçã com creme é a grande especialidade da casa.

Bar Brasil. Av. Mem de Sá, 90. Tel.; 222-5943. De segunda a sexta, das 11 da manhã às 11 da noite, sábado fecha às 4 da tarde e domingo não abre.

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