Cobal do Leblon

Por Jaguar

O Cobal do Leblon abriga belos botequins: o Arataca e a Lanchonete Adriana ficam nos corredores e, na parte externa, misturam-se as mesas, junto ao estacionamento, do Pizza Park ao Tabuk.

Todos esses bares coexistem pacificamente e os fregueses circulam entre eles, bebendo e petiscando aqui e ali, num vai-e-vem cordial. No final você paga, por exemplo, uma pinga Lua Nova e uma casquinha de sururu no Arataca, especializado em coisas do Norte, um quibe no Tabuk, árabe, uma pizza e um chope no Pizza Park.

Não menos pacífica é a convivência dos que vão para biritar e papear com os que estão a fim de legumes, frutas, peixes e flores, mesmo com os carrinhos de compras tirando finos nas mesas dos botecos.

Há anos, desde que Hugo Carvana e Reinaldo Cavalcanti, presidente honorário e vitalício da turma do Cobal, e os insubstituíveis Tom Jobim e Dico Wanderley começaram a frequentar o lugar, um seleto grupo nunca deixou de assinar ponto lá aos sábados, entre o meio-dia e as 3 da tarde. Às vezes nem o badaladíssimo Antiquarius pode contabilizar tantos colunáveis num só dia.

Pra vocês terem uma idéia, bolei uma camiseta que tem a seguinte inscrição: O Pessoal do Cobal – Unidos Beberemos (é o Cobal mesmo; a Cobal é para comprar legumes). Segue-se uma lista de nomes ilustres. Por uma questão de espaço, citarei só alguns: Antonio Pedro, David Sambarilove Pinheiro, Pereio (quando deixa Olhos D’Água, em Goiás, onde mora, e vem matar as saudades do Rio), José Lewgoy, Ana Maria Magalhães, Jards Macalé, Paulo Casé, Claude Amaral Peixoto, João Ubaldo, Eric Nepomuceno, Antonio Torres, Chico Caruso e Abel Silva, poeta da MPB que, num dia inspirado, proferiu numa das mesas do Arataca a frase: “o bar é o descanso do lar”, que virou epígrafe deste livrinho.

Já o povão frequenta a Lanchonete Adriana, que tem a comida típica dos melhores botequins cariocas, bife com fritas, fígado à lisboeta, etc. O lombo com feijão-manteiga é de fazer ateu comer rezando.

Já que falamos em especialidades, vamos lá: o Arataca, da bela Suely, oferece vatapá, bobó de camarão, sarapatel e buchada. Adoro a casquinha de caranguejo. Tem também ótimas caninhas do Norte, Nordeste e Minas. No Tabuk, a gente encontra o fino da comida árabe e uísque escocês a bom preço. Ivan, o dono, depois de anos como advogado e executivo, descobriu que é ótimo cozinheiro e, trabalhando como um mouro (já que os árabes são mouros), emplacou o estabelecimento. A coisa vai melhorar mais ainda com uma cervejaria que vão fazer no lugar do supermercado que fechou.

O Pizza Park, do ator Otávio Augusto, dos irmãos Reynoso e do Carlinhos Raposo, tem um chopeduto aéreo, com tecnologia de ponta, que faz o chope (da Brahma) chegar ao freguês tinindo, com 1ºC de temperatura. E a massa da pizza é como eu gosto, crocante e fininha.

Depois que algum debilóide mandou fechar os bares do Baixo Gávea à uma da matina, o Cobal virou point, com o estacionamento totalmente ocupado por mesas onde a azaração da moçada rola até altas horas.

Cobal do Leblon – Rua Gilberto Cardoso, s/nº – Leblon. Todos os dias. Bares de dentro: das 8 da manhã às 6 da noite. Bares de fora: das 8 da manhã até o último freguês.

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