Como fazer comentários nas redes sociais

Por Edson Aran

Fazer comentários é uma nova forma de arte nesses tempos de redes sociais. Mas convém seguir algumas regras simples para melhor praticar essa atividade tão importante.

Primeiro: você não precisa ter opinião sobre tudo. Sei que é difícil conter o desejo de pitacar, mas autocontrole é bom. Se alguém compartilhar essa notícia — “Nasa descobre exo-planeta com a mesma massa da Terra” —, você não precisa ir lá e escrever: “Planeta comunista fã de bandido!”

Se fosse Marte, tudo bem. Marte, o Planeta Vermelho, como o próprio nome diz, é a terra de alienígenas gramcistas que só querem destruir a civilização ocidental. Já o exo-planeta da Nasa pode ser um mundo terrivelmente evangélico, vai saber. E é por isso que é sempre bom ler o texto ANTES de comentar ou você vai pagar o maior mico.

Escrever “não vou nem ler”, “parei no título” e “não li e não gostei” não é exatamente um comentário. Imagine que Charles Darwin o encontre num coquetel e pergunte: “O que achou do meu livro, ‘A Origem das Espécies’?” e você responda: “Parei no título!”. Darwin ficaria tão desanimado que nunca mais escreveria nada, condenando todos nós a sermos macacos até hoje.

Também não use gifs. A escrita surgiu há cinco mil anos para possibilitar que o cerumano expressasse emoções e pensamentos. Quando você prefere “falar” com o Tony Stark revirando os olhos, um gordo branquelo aplaudindo de boca aberta ou a Gretchen tentando mexer todo aquele botox, o pobre do Machado de Assis dá duas cambalhotas na tumba e isso acaba com a paz do cemitério.

Xingar o autor também não contribui para o debate. O grego Sócrates é considerado o inventor da dialética, um método filosófico composto de três etapas simples: tese, antítese e síntese. Funciona assim. Alguém lança a tese: “O grego Sócrates é considerado o inventor da dialética”. O outro vem com a antítese: “Uai, o Aristóteles achava que era outro cara…”. Finalmente, chega-se a uma síntese: “O método dialético talvez não tenha um único inventor…”

Mas note que o resultado é completamente diferente quando alguém diz “o grego Sócrates é considerado o inventor da dialética” e o outro comenta “VSF comuna fã de bandido!”

E, finalmente, mais uma consideração: jamais use a expressão “toma o seu biscoito!”. Alguém pode chegar embaixo do seu comentário e escrever: “Mas é biscoito ou é bolacha?” Pronto! Todo mundo começa a se xingar de novo.

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