Em questão de apropriação cultural, turbante de cool é rola!

Por conta dos novos dispositivos infraconstitucionais que proíbem, com pena de reclusão inafiançável no Presídio da Papuda, a apropriação indevida de bens culturais dessa ou daquela etnia e quaisquer manifestações de caráter machista, sexista ou preconceituosa, tanto contra como a favor das minorais, este site resolveu adotar algumas providências drásticas.

Doravante nossos redatores estão proibidos de escrever expressões como “imagem do cão”, “preto retinto”, “bombom de onça”, “picolé de açaí”, “pipoca de luto”, “preto de alma branca”, “tição”, “negro por derradeiro” e demais frases ou adjetivos que denigram os morenos e as morenas deste país de dimensões continentais.

Tais expressões deverão ser substituídas por afro-brasileiros carregados na cor, afrodescendentes de ectoplasma incolor, pedaço de madeira inteiramente carbonizado ou afro-brasileiro em último lugar.

Também estão proibidos de serem utilizados na redação os seguintes acessórios, por representarem apropriação cultural indevida: turbantes (exclusividade dos africanos subsaarianos e de indiano punjabi, da religião Sikh), mocassins (exclusividade dos peles-vermelhas da etnia cheyenne), bandanas (exclusividade dos peles-vermelhas da etnia apache), calça jeans (exclusividade dos agricultores norte-americanos), alpercatas (exclusividade dos vaqueiros nordestinos), camisas estampadas (exclusividade de guitarristas havaianos), chapéu de palinha (exclusividade de mafiosos equatorianos) e chifres cromados (exclusividade de cantores sertanejos).

Como já foi cientificamente comprovado, as mulheres do sexo feminino, com exceção do racha no meio, são iguaizinhas aos homens. Portanto, não há mais razão para discrimina-las como se elas fossem de uma categoria inferior.

Por isso os nossos redatores acompanharão os novos tempos e não mais escreverão que lugar de mulher é na cozinha, que a mulher tem não apenas o cérebro menor como usa muito pouco e coisas semelhantes, mesmo que comprovadas cientificamente.

“Rainha do Lar” ainda pode ser utilizado, porém somente durante o mês de maio.

Adjetivos pejorativos tais como “mocreia”, “tribufu”, “baiacu”, “canhão”, “muié paia” ou “que o boi cagou” estão automaticamente vetados.

Está terminantemente proibido neste site o verbo judiar e todas as suas variações, além de trocadilhos e piadas de mau gosto duvidoso com indivíduos de raça israelita.

Um exemplo: o samba “Agora é cinza”, de Bide e Marçal, jamais poderá ser referido novamente nas reportagens como a “melô dos judeus”.

Também não mais será permitida a prática de fazer pouco caso dos indivíduos que optaram por acasalarem-se com seus iguais, os chamados homossexuais.

De maneira que este site não mais permitirá termos como “fresco”, “viado”, “boiola”, “qualira”, “baitola”, “falso-à-bandeira”, “frango”, “sapatão”, “pochetinha”, “ 44 tala larga”, “saboeira”, dando-se preferência ao termo “drag-queens” para as antigas bichas loucas e, para os homossexuais pós-modernos, de ator performático, poeta transformista ou menina veneno.

Tampouco serão toleradas expressões como “botar as aranhas para brigar”, “fazer sabão”, “escorregar no quiabo”, “entubar uma brachola”, “agasalhar um croquete”, “esconder uma cobra” ou “sentar em cadeira ocupada”.

Os ditos anões (e as anãs também) não poderão mais ser tratados como “toco-de-amarrar-jegue”, “pintor de rodapé”, “meia-foda”, “salva vidas de aquário”, “ted tampinha”, “segurança de festa infantil” ou “tamborete de puteiro”.

Opte-se pelo politicamente correto pessoa de sexo masculino ou feminino verticalmente inferiorizado ou prejudicados.

Da mesma forma, os obesos (e as obesas também) não poderão mais ser chamados de “rolha de poço”, “cintura de ovo”, “pudim de banha”, “gorduchinho bundão”, “bola de sebo”, “pneu de trator”, “botijão de merda”, “almôndega de Itu”, “barril de chope” ou “Moby Dick, a baleai assassina”.

No lugar disso, utilizem o tratamento neutro de “pessoa de porte avantajado”.

Por fim, mas não menos importante, não há problema algum em chamar os indivíduos de pigmentação clara de “galego de água doce deu um peido e se cagou-se”, “urso branco da coca-cola”, “galegão seboso”,  “barata cascuda”, “penico esmaltado”, “boi do cu branco”, “sarará miojo” e “visagem com anemia”, tendo em vista que não há nenhuma ONG nem lei protegendo os branquelos (e as branquelas).

Os Editores (um branquelo feito macaxeira descascada, outro moreno cor de tabaco de corda e um terceiro mais feio do que cão de catecismo)

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