O berro do cabrito

O vereador Gil Gonçalves

Julho de 2001. Há três meses sem receber o pagamento dos anúncios veiculados pela Prefeitura no semanário Correio Parintintim, o jornalista João Jorge de Souza, o “J. J.”, procurou o secretário de Comunicação do município, vereador Gil Gonçalves, para reclamar da situação. Levou um chá de cadeira de três horas antes de ser recebido pelo secretário. Dentro da sala, o jornalista passou meia hora desfiando um rosário de queixas enquanto Gil Gonçalves, entretido com um livro de palavras cruzadas, ouvia tudo calado, sem fazer qualquer contestação.

Quando o jornalista encerrou sua peroração, Gil Gonçalves foi curto e grosso:

– Olha, “J. J”, eu vou ser bem claro contigo: o bom cabrito não berra!…

– É verdade, parente, é verdade! – devolveu o jornalista, se levantando para ir embora. – Porque se o cabrito berrar, a população inteira de Parintins vai tomar conhecimento do nepotismo que grassa na Prefeitura, com mais de 15 parentes do Enéas ganhando sem trabalhar, vai saber das obras-fantasmas pagas com recursos do Fundeb, das licitações dirigidas para beneficiar os amigos do prefeito, do superfaturamento na aquisição de produtos da merenda escolar, da propina de 15% cobrada no pagamento dos empenhos e por aí afora…

O secretário Gil Gonçalves ficou pálido. No mesmo dia, as faturas atrasadas do Correio Parintintim foram quitadas.

Sim, o cabrito não berrou. Ô raça!

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